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Ucrânia e Rússia acusam-se mutuamente de violar trégua para Páscoa Ortodoxa
Ucrânia e Rússia acusaram-se mutuamente, neste domingo(12), de violarem várias vezes o cessar-fogo iniciado no sábado para a Páscoa Ortodoxa, uma trégua que o Kremlin se recusou a prorrogar a menos que Kiev aceitasse suas condições.
O cessar-fogo na linha de frente entrou em vigor às 16h (10h em Brasília), e terminará no final de domingo, totalizando 32 horas.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, aceitou a trégua proposta por seu homólogo russo, Vladimir Putin, mas afirmou que Kiev responderia "golpe por golpe" a qualquer violação russa.
Zelensky também declarou, no sábado, que seria "correto" prorrogar o cessar-fogo, e que havia feito essa proposta a Moscou. No entanto, o Kremlin a rejeitou até que Kiev aceite suas condições para o fim da guerra, que começou com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.
"Enquanto Zelensky não tiver a coragem de assumir essa responsabilidade, a operação militar especial continuará após o término do cessar-fogo", declarou Dmitry Peskov, porta-voz da Presidência.
"Uma paz duradoura só pode ser alcançada quando tivermos protegido nossos interesses e atingido os objetivos que definimos desde o início. Isso é possível a partir de hoje, mas Zelensky precisa aceitar as soluções já conhecidas", acrescentou.
A Rússia exige concessões políticas e territoriais, em particular uma retirada completa da região de Donetsk, parcialmente controlada por Moscou. Kiev rejeita essas exigências, considerando-as uma rendição.
- Mais de 3.000 violações reportadas -
A Ucrânia há muito tempo exige uma trégua prolongada para facilitar as negociações sobre um possível acordo para pôr fim à guerra. No entanto, a Rússia rejeita essa ideia, argumentando que uma pausa mais longa permitiria ao exército ucraniano ganhar força.
Tal como aconteceu com um cessar-fogo semelhante no ano passado, a calma na linha de frente de 1.200 km era relativa. O Estado-Maior ucraniano acusou as forças russas, em um comunicado divulgado neste domingo, de violar a trégua 2.299 vezes. Minutos depois, o Ministério da Defesa russo afirmou que as forças ucranianas a tinham violado 1.971 vezes.
Ambos os exércitos acusaram-se mutuamente de centenas de ataques de artilharia, com drones e contra tropas.
Como sinal de uma diminuição relativa da atividade militar, o Estado-Maior ucraniano destacou, contudo, que não foram registrados quaisquer ataques russos envolvendo drones Shahed de longo alcance, bombas guiadas ou mísseis.
Entretanto, o exército ucraniano e o Ministério Público acusaram, neste domingo, as forças russas de executarem, no sábado, quatro soldados ucranianos que haviam sido feitos prisioneiros na linha de frente perto da cidade de Veterinarne, na região nordeste de Kharkiv.
Observadores militares do DeepState, próximos ao exército ucraniano, divulgaram, na noite de sábado, imagens de drones — não verificadas pela AFP — que mostram quatro pessoas vestidas com uniformes militares deitadas no chão em uma área arborizada, enquanto outra pessoa, armada, atira nelas.
- "Bastante tranquila" -
Na região de Kharkiv, o tenente-coronel Vasil Kobziak, de 32 anos, disse à AFP na manhã deste domingo que a situação em seu setor estava "bastante tranquila".
Segundo este oficial da 33ª Brigada Mecanizada, o cessar-fogo não está sendo "totalmente" respeitado, mas a diminuição da intensidade dos combates permitiu que seus soldados, na manhã deste domingo, pouco depois do amanhecer em um dia gélido, participassem de uma missa de Páscoa em uma floresta da região.
Em Zaporizhzhia, uma grande cidade no sudeste da Ucrânia, agora localizada a cerca de 20 quilômetros da linha de frente, Victoria, uma balconista de 21 anos, disse à AFP que a trégua não passa de uma "ilusão".
Diversas rodadas de negociações conduzidas com o apoio dos Estados Unido nos últimos meses não conseguiram aproximar as partes de um acordo, e o processo estagnou ainda mais desde que a guerra no Oriente Médio eclodiu após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro.
A guerra na Ucrânia já tirou centenas de milhares de vidas e deslocou milhões de pessoas, tornando-se o conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
P.L.Madureira--PC