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Premiê australiano 'devastado' com violência em protesto contra presidente israelense
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou nesta terça-feira (10) que estava "devastado" pelas cenas de confrontos durante uma manifestação em Sydney contra a visita do presidente israelense, ao mesmo tempo que defendeu a ação da polícia.
Em sua visita de quatro dias, o chefe de Estado de Israel, Isaac Herzog, tenta consolar a comunidade judaica da Austrália após o massacre de 15 pessoas que celebravam a festa de Hanukkah, em dezembro, na famosa praia de Bondi, em Sydney.
Durante a noite de segunda-feira, cenas caóticas foram registradas quando a polícia da cidade impediu que um protesto se aproximasse de uma área designada como restrita.
As autoridades agrediram manifestantes e jornalistas, incluindo profissionais da AFP, e lançaram gás lacrimogêneo, em cenas de violência raramente vistas no distrito empresarial de Sydney.
Questionado sobre o ocorrido, Albanese declarou a uma rádio local que ficou "devastado" com as imagens.
"São cenas que realmente não deveriam estar acontecendo", disse. "As pessoas devem poder expressar pacificamente suas opiniões, mas a polícia deixou muito claro as rotas exigidas caso as pessoas desejassem marchar", acrescentou.
Perto do protesto, Herzog participou de uma homenagem às vítimas do massacre de 14 de dezembro, ao lado de milhares de pessoas.
A polícia de Nova Gales do Sul anunciou a detenção de 27 pessoas nas manifestações, incluindo 10 por agressão contra as forças de segurança, e confirmou o uso de spray de pimenta contra a multidão.
Grupos de protesto convocaram seus seguidores para uma nova manifestação contra a "brutalidade policial" na tarde de terça-feira no centro de Sydney.
A visita de Herzog deve terminar na quinta-feira (12).
Na manhã de terça-feira, ele se reuniu com estudantes de uma escola judaica nos subúrbios de Sydney. Mais tarde, o presidente de Israel se encontrará com as famílias das vítimas do ataque de Bondi, o mais violento contra os judeus desde o ataque executado pelo Hamas em Israel no dia 7 de outubro de 2023.
Na segunda-feira, em uma cerimônia na praia de Bondi, Herzog afirmou que "os laços entre pessoas de bem de todas as crenças e nações permanecerão fortes diante do terror, da violência e do ódio".
Muitos judeus australianos receberam bem a viagem de Herzog.
"Sua visita elevará o ânimo de uma comunidade enlutada", disse Alex Ryvchin, codiretor executivo do Conselho Executivo dos Judeus Australianos, o principal órgão da comunidade.
Em contrapartida, o Conselho Judaico Progressista da Austrália declarou que Herzog não era bem-vindo devido ao seu suposto envolvimento na "destruição contínua de Gaza".
O ataque na praia de Bondi foi cometido por um homem de 50 anos de nacionalidade indiana, Sajid Akram, e seu filho Naveed, um australiano de 24 anos.
Akram foi morto a tiros pela polícia e seu filho permanece detido, acusado de terrorismo e 15 homicídios.
P.Queiroz--PC