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Dois militares americanos são mortos pelo Irã, que ataca infraestruturas civis
Dois militares americanos morreram e um desapareceu em combate na Jordânia após uma série de ataques com mísseis e drones do Irã, que neste sábado (18) atingiu infraestruturas civis no Golfo.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que os soldados morreram na sexta-feira, quando as forças americanas e seus parceiros se “defenderam de ataques iranianos com mísseis balísticos e drones”.
Um militar americano está desaparecido em combate, enquanto outros quatro foram evacuados para hospitais jordanianos, afirmou o Centcom no X. São os primeiros militares dos Estados Unidos mortos desde que as hostilidades foram retomadas em 7 de julho.
Na sexta, um assessor do líder supremo iraniano ameaçou entrar em uma "fase de ofensiva total" caso os ataques americanos continuassem por mais de "dois ou três dias".
O Irã atacou infraestruturas civis no Kuwait pelo segundo dia consecutivo. Desde a retomada das hostilidades há mais de uma semana, que pôs fim ao acordo-quadro de 17 de junho, seu exército vinha mirando principalmente bases americanas.
Segundo as autoridades kuwaitianas, os ataques danificaram gravemente uma instalação de petróleo e provocaram um incêndio, além do fechamento de várias unidades de produção em uma usina de energia elétrica e em uma planta de dessalinização de água. Outra instalação semelhante já havia sido atingida no dia anterior.
As autoridades condenaram "os ataques repetidos contra essas instalações vitais", que revelam "uma atitude hostil sistemática" em relação a essas "infraestruturas essenciais e colocam em perigo a vida e a segurança da população civil".
O Conselho de Cooperação do Golfo, que reúne seis países da região, condenou os ataques iranianos contra infraestruturas civis e afirmou que constituem "crimes de guerra".
O Irã foi novamente bombardeado durante a noite e a ministra de Rodovias e Desenvolvimento Urbano, Farzaneh Sadegh, acusou o "inimigo" de mirar "as vias de comunicação e trânsito do país".
As autoridades da província de Hormozgan, que margeia o Estreito de Ormuz e foi atacada em várias ocasiões nos últimos dias, afirmaram que os ataques americanos haviam "destruído completamente" uma estação de bombeamento de água do mar e um transformador elétrico de uma planta de dessalinização.
O exército americano indicou que durante a noite atacou locais de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e meios marítimos" no Irã, sem mencionar alvos civis.
Por sua vez, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ameaçou neste sábado infligir uma “lição inesquecível” aos Estados Unidos após a retomada dos ataques contra o Irã.
“Agora que o inimigo americano busca incitar à guerra (...), deve saber que a querida nação iraniana e a frente da resistência têm lições inesquecíveis a lhe oferecer”, declarou o aiatolá em uma mensagem escrita citada pela televisão estatal.
“A violação repetida” do protocolo de acordo “demonstrou mais uma vez a todos que a assinatura do presidente dos Estados Unidos não vale nada”, acrescentou.
- Hostilidades sem precedentes -
A guerra, iniciada em 28 de fevereiro pela ofensiva israelense-americana contra o Irã, havia sido suspensa após o cessar-fogo de abril. Mas, desde a retomada das hostilidades no início de julho, a violência atingiu níveis sem precedentes.
Os ataques entre ambas as partes já são diários e vieram acompanhados de uma série de incidentes marítimos, principalmente no Estreito de Ormuz.
A reabertura dessa via estratégica por parte do Irã havia sido um dos principais êxitos do acordo destinado a conduzir à paz, mas o tráfego marítimo voltou a ficar praticamente paralisado.
Quase um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos transitava por esse estreito antes da guerra. Com o novo bloqueio iraniano, os Estados Unidos voltaram a impor o bloqueio aos portos iranianos que haviam levantado em cumprimento do acordo-quadro.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou neste sábado ter "detido", com drones e mísseis, quatro navios que tentavam cruzar o estreito sem sua autorização e onde, segundo Teerã, dois petroleiros explodiram ao colidir com minas.
"Dois petroleiros, que tentavam atravessar o campo de minas situado ao sul do Estreito de Ormuz, enganados pelos serviços de inteligência americanos, explodiram e pegaram fogo", afirmaram, sem precisar a nacionalidade dos navios nem se houve vítimas. O Centcom negou.
burx-mdh/mmy/pb/pc/mab/jc/ic
L.Henrique--PC