Princesa das Astúrias premia 'Arca de Noé das plantas' de Svalbard
Princesa das Astúrias premia 'Arca de Noé das plantas' de Svalbard / foto: Jonathan Nackstrand - AFP/Arquivos

Princesa das Astúrias premia 'Arca de Noé das plantas' de Svalbard

O Banco Mundial de Sementes de Svalbard, considerado a "Arca de Noé das plantas" por abrigar o maior banco de sementes do mundo no arquipélago norueguês, recebeu o Prêmio Princesa das Astúrias de Cooperação Internacional, na Espanha nesta quarta-feira (20).

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"Com mais de 1,3 milhão de amostras que representam milhares de variedades de plantas cultiváveis, essenciais para a segurança alimentar da humanidade, o júri valorizou a cooperação silenciosa dessa infraestrutura crítica e estratégica como um legado para as futuras gerações", afirmou a instituição.

A iniciativa norueguesa, inaugurada em 2008, foi criada "para preservar a diversidade de cultivos em caso de perdas devido a desastres naturais, conflitos humanos ou outras circunstâncias", enfatizou a justificativa, lida pelo presidente do júri, o jurista e ex-ministro da Defesa espanhol Gustavo Suárez Pertierra.

Os Prêmios Princesa das Astúrias, criados em 1981 e considerados os mais prestigiados do mundo ibero-americano, incluem um prêmio de 50.000 euros (292.000 reais) e uma escultura criada pelo falecido artista catalão Joan Miró.

O banco subterrâneo de sementes, localizado na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, no coração do Ártico, a cerca de 1.300 km do Polo Norte, foi selecionado entre 32 candidaturas de 17 países que concorriam ao prêmio este ano.

O governo norueguês é responsável pelo banco, juntamente com uma organização internacional sem fins lucrativos que envolve vários países, "dedicada à conservação da diversidade de cultivos e à sua disponibilidade constante para utilização em todo o mundo", explicou a Fundação Princesa das Astúrias em comunicado.

"Este prêmio é um importante reconhecimento da cooperação internacional" que possibilitou "a preservação de até 1,3 milhão de amostras de sementes de nossos cultivos alimentares mais importantes para o futuro", disse o ministro da Agricultura da Noruega, Nils Kristen Sandtrøen, em um comunicado divulgado pela fundação.

A coleção já comprovou sua utilidade, como quando, em 2015, pesquisadores conseguiram recuperar em Svalbard as sementes perdidas na cidade de Aleppo, devastada pela guerra na Síria.

Da mesma forma, em 2025, o acervo recebeu 2.000 amostras de sementes do Banco Nacional de Germoplasma do Sudão, que foi atacado durante a guerra civil naquele país.

L.E.Campos--PC