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Atentado em Sydney: atirador é acusado de 'terrorismo'
A polícia australiana acusou nesta quarta-feira (17) um dos suspeitos do atentado antissemita na praia de Bondi, em Sydney, no dia do funeral de duas das 15 vítimas fatais do ataque.
Sajid Akram e seu filho Naveed são suspeitos de abrir fogo na tarde de domingo (14) contra a festa judaica de Hanukkah em Bondi, um atentado que deixou 15 mortos e dezenas de feridos.
Naveed foi indiciado nesta quarta-feira por 15 acusações de homicídio e por cometer um “ato terrorista”.
"A polícia alegará no tribunal que o homem participou de atos que causaram mortes, ferimentos graves e colocaram em risco a vida de outras pessoas com o objetivo de promover uma causa religiosa e propagar medo na comunidade", informou o departamento de polícia do estado de Nova Gales do Sul.
"Os primeiros indícios apontam para um ataque terrorista inspirado pelo EI (sigla do grupo jihadista Estado Islâmico), uma organização considerada terrorista pela Austrália", acrescentou a polícia em um comunicado.
Sajid, de 50 anos, morreu no local do ataque em uma troca de tiros com a polícia. Naveed, o filho de 24 anos, foi atingido por tiros e permanece no hospital sob vigilância policial.
- Luto -
Eli Schlanger, pai de cinco filhos e conhecido como o "rabino de Bondi", foi a primeira vítima a ser sepultada, após uma homenagem com uma cerimônia na sinagoga Chabad de Bondi.
Parentes e amigos choraram quando o corpo foi levado à sinagoga dentro de um caixão preto.
"Quem o conheceu sabia que ele era o melhor de nós", declarou um dos líderes da comunidade judaica australiana, Alex Ryvchin, antes do funeral.
Durante a tarde, muitas pessoas lotaram a sinagoga Chabad para o serviço fúnebre do rabino Yaakov Levitan, de 39 anos e pai de quatro filhos.
Viaturas policiais monitoraram as ruas ao redor da sinagoga de Bondi, diante da multidão que se reuniu para prestar suas homenagens.
"Meu coração está com a comunidade hoje e todos os dias", afirmou nesta quarta-feira o primeiro-ministro Anthony Albanese.
- "Ideologia de ódio" -
O chefe de Governo disse que os criminosos foram radicalizados por uma "ideologia de ódio". Os australianos questionam se as autoridades poderiam ter atuado antes para impedir o ataque.
Naveed Akram, supostamente um pedreiro desempregado, chamou a atenção da agência de inteligência australiana em 2019, mas não foi considerado uma ameaça iminente.
A polícia investiga se pai e filho se encontraram com extremistas islamistas durante uma visita às Filipinas algumas semanas antes do ataque. O departamento de imigração filipino confirmou à AFP que eles passaram quase todo o mês de novembro na ilha de Mindanao, uma região com uma longa história de insurgências islamistas.
O governo filipino negou nesta quarta-feira que o país tenha sido usado para treinamento terrorista e insistiu que não há evidências para fazer a afirmação.
Armados com fuzis, pai e filho atiraram durante quase 10 minutos na praia de Bondi antes de Sajid Akram ser abatido pela polícia.
- Heróis australianos -
Albanese elogiou o heroísmo de um casal de idosos assassinado no atentado, depois que imagens registradas por uma câmera instalada em um veículo mostraram que os dois lutaram contra um dos atiradores.
"Presto homenagem a Boris e Sofia Gurman. Boris atacou um dos terroristas quando saía do carro. E isso provocou a morte do senhor e da senhora Gurman", disse.
Albanese também visitou na terça-feira Ahmed Al Ahmed, que se tornou um herói no país e no mundo depois que conseguiu retirar o fuzil das mãos de um dos criminosos. A atitude, filmada, viralizou nas redes sociais.
As autoridades australianas concordaram em endurecer as leis que permitiram a Sajid Akram ter o porte de seis armas.
Os tiroteios em massa são incomuns na Austrália desde que um atirador solitário matou 35 pessoas na cidade turística de Port Arthur em 1996.
Nos últimos anos, no entanto, o país registrou um aumento constante no número de armas particulares.
O ataque de domingo também reacendeu as acusações de que o país não faz o suficiente para combater o antissemitismo. Judeus australianos afirmaram nos funerais que se sentem inseguros, irritados e frustrados por considerarem que o governo fez pouco para combater o antissemitismo.
"Nos sentimos seguros? Você sabe que a resposta é "realmente, não", para ser honesto", declarou à AFP o rabino Yossi Friedman durante uma homenagem às vítimas.
"Nossos avós e bisavós, sobreviventes do Holocausto, vieram para escapar do ódio e do derramamento de sangue, dos pogroms, da perseguição", declarou. "Estamos encontrando isso novamente aqui".
P.Sousa--PC