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RedNote, o aplicativo que revolucionou o turismo na China
A concorrência é acirrada entre os fotógrafos nos pontos turísticos mais populares de Pequim, incluindo um lago pitoresco onde mulheres vestidas com trajes tradicionais posam para compartilhar seus retratos no RedNote, o aplicativo de estilo de vida mais popular da China.
A plataforma, cujo nome oficial em chinês é Xiaohongshu, revolucionou a indústria do turismo no gigante asiático, onde as viagens domésticas vivem um auge e atingem níveis recordes. Agora, segundo a imprensa, a empresa se prepara para pedir sua abertura de capital ainda este ano.
Sua interface é semelhante à da rede social americana Pinterest, mas o aplicativo às vezes é chamado de "Instagram chinês", já que os usuários podem publicar fotos, vídeos e até fazer transmissões ao vivo.
Os viajantes usam a plataforma para descobrir novos destinos e planejar roteiros em locais fotogênicos, como o lago da área histórica de Shichahai, na capital. O local é um dos muitos pontos "daka", ou de "visita obrigatória", que atraem cada vez mais visitantes graças ao Xiaohongshu.
Em uma segunda-feira recente, a fotógrafa Li Geng, de 18 anos, oferecia seus serviços aos turistas que passavam pelo local. Ela cobrava 10 yuans (R$ 7,60) por retrato.
A poucos metros dali, outros fotógrafos davam instruções a jovens com roupas elegantes, que faziam o sinal de vitória com os dedos e arqueavam as costas diante das câmeras.
Li contou à AFP que a disputa por clientes é intensa, já que muitos concorrentes têm forte presença nas redes sociais. Um deles acumula 45 mil seguidores no Xiaohongshu e cobra preços mais baixos.
- Inspiração para viajar -
As viagens domésticas na China atingiram níveis recordes no ano passado, informou a agência Xinhua em março, com mais de 6,5 bilhões de deslocamentos, um aumento de mais de 16% em relação ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, a base de usuários do Xiaohongshu cresceu para 350 milhões de usuários ativos mensais, segundo a plataforma de análise de dados Qiangua. Um ano antes, eram 300 milhões.
O aplicativo impulsionou negócios pouco conhecidos e levou multidões a destinos fora dos roteiros tradicionais, como Zibo, uma tranquila cidade industrial da província de Shandong, depois que seus espetinhos de churrasco baratos e marinados viralizaram.
O Xiaohongshu é hoje o primeiro lugar onde "muitos viajantes jovens" buscam inspiração, afirmou Ming Yii Lai, consultora sênior de estratégia da Daxue Consulting.
A turista Mina Chen, que visitava Shichahai com a irmã, planejou toda a viagem a Pequim com base nas recomendações de outros usuários.
"Hoje ele é indispensável para mim", disse à AFP a estudante de 20 anos da província de Hunan.
- "Refugiados" do TikTok -
O turismo impulsionado pelo Xiaohongshu também trouxe problemas, como o excesso de visitantes em locais que viralizaram e a dependência excessiva de empresas em relação ao tráfego gerado pela plataforma, explicou Lai.
Publicações patrocinadas por restaurantes e destinos turísticos também geraram críticas quando as recomendações não corresponderam às expectativas dos visitantes.
O aplicativo ganhou atenção internacional no ano passado quando a proposta do governo americano de proibir o TikTok levou usuários dos Estados Unidos, apelidados de "refugiados", a migrar para o RedNote.
Nas últimas semanas, o Xiaohongshu voltou às manchetes por seus preparativos para apresentar de forma confidencial uma oferta pública inicial de ações na Bolsa de Hong Kong, segundo veículos como o Wall Street Journal. O jornal informou que a estreia no mercado poderá ocorrer no fim de 2026.
A AFP entrou em contato com a empresa para comentar a informação.
Segundo a Qiangua, as mulheres jovens das cidades mais ricas continuam sendo a principal base de usuários do aplicativo.
Mas a plataforma também ganha popularidade entre falantes de chinês em países como Malásia e Singapura.
O aposentado singapurense Ernest Phua recorreu ao Xiaohongshu para planejar viagens a Cantão e Yunnan, buscando em mandarim "estratégias de viagem" e recomendações.
"Se queremos saber como é realmente a vida na China" e descobrir o que os moradores gostam de fazer, comer e visitar, "o Xiaohongshu tem muito conteúdo", afirmou.
Meng Jiaxuan, de 20 anos, vestida com um traje tradicional em Shichahai, contou que até as poses de sua sessão de fotos foram pesquisadas no aplicativo.
"Não importa o que seja, eu simplesmente procuro no Xiaohongshu", disse.
Ferreira--PC