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EUA prossegue com bombardeios no Irã e pretende restabelecer bloqueio naval
Os Estados Unidos lançaram novos bombardeios nesta terça-feira (14) contra o Irã e anunciaram o restabelecimento do bloqueio naval aos portos da República Islâmica, o que levou Teerã a responder com ataques contra países da região.
A retomada dos ataques, os mais intensos desde o cessar-fogo de abril, coloca em risco o frágil protocolo de acordo assinado em 17 de junho, embora o presidente americano, Donald Trump, tenha afirmado que um acordo continua sendo "possível".
Com o aumento da tensão, o preço do barril de petróleo do tipo Brent subia 4,4%, a 86,95 dólares, às 10h40 GMT (7h40 de Brasília). O West Texas Intermediate (WTI) avançava 3,3%, a 80,71 dólares.
Durante uma missão de cinco horas, as forças americanas bombardearam "alvos militares" em várias cidades portuárias do sul do Irã, como Bushehr e Bandar Abbas, anunciou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).
"Vamos atingi-los com força esta noite, e vamos atingi-los com força amanhã", declarou Trump na segunda-feira. Na semana passada, ele enviou uma notificação oficial ao Congresso sobre a retomada do conflito, iniciado em 28 de fevereiro com os ataques de Israel e dos Estados Unidos.
Segundo a agência iraniana Fars, um prédio de uma agência ambiental na região de Hormozgan (sul) foi alvo de um ataque que matou a família de um guarda florestal. A televisão estatal informou ainda sobre cinco explosões nas proximidades do Estreito de Ormuz.
Vinte e oito pessoas morreram desde que as hostilidades foram retomadas na quarta-feira da semana passada, segundo um balanço da AFP baseado nas informações divulgadas pela imprensa iraniana e por fontes oficiais.
- Ataques contra Jordânia e Bahrein -
"Está claro que não é bom ver seu país em guerra", declarou Hossein, um vendedor de 43 anos, em Teerã. "Mas vamos nos defender como fizemos no passado".
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, reivindicou na terça-feira uma operação no Bahrein, incluindo um ataque contra um prédio residencial das forças americanas na base de Juffair. Também anunciou um ataque na Jordânia contra "instalações-chave e as forças americanas em uma base aérea", segundo um comunicado citado pela agência Tasnim. Amã anunciou a interceptação de quatro mísseis.
Os Emirados Árabes Unidos, aliados de Washington no Golfo, informaram que o Irã atacou dois de seus petroleiros no Estreito de Ormuz. Um tripulante morreu. A agência marítima britânica UKMTO relatou um ataque, mas não explicou se era a mesma ação.
Apesar das hostilidades, Trump afirmou na segunda-feira que um acordo com o Irã ainda era "possível". A diplomacia de Teerã informou que mantém contato com os mediadores.
- Bloqueio dos portos iranianos -
Em uma tentativa de pressionar o Irã, o presidente dos Estados Unidos anunciou o restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos, que entrará em vigor nesta terça-feira às 20h00 GMT (17h00 de Brasília), segundo o Exército americano.
Durante o bloqueio anterior, iniciado em abril como represália pelo fechamento do Estreito de Ormuz por parte de Teerã, o Irã não conseguiu exportar petróleo, segundo seu principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A operação "teve um papel decisivo na assinatura do memorando de entendimento", considerou o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) em um relatório.
Assim como Teerã deseja estabelecer uma cobrança de pedágio, Donald Trump quer receber, em troca da proteção do estreito, "uma remuneração equivalente a 20% do valor das cargas" em Ormuz, o que contraria o direito internacional, que supostamente deve garantir a liberdade de navegação.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, ironizou a ameaça de pedágio de Trump: "O presidente dos Estados Unidos está absolutamente certo. Quem garante a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz deve ser compensado por este serviço. O Irã sempre foi o GUARDIÃO do Estreito e assim permanecerá PARA SEMPRE. Vinte por cento é, claro, demais. Seremos justos", escreveu nas redes sociais.
A China pediu às partes que restabeleçam a passagem normal e segura pelo estreito.
Por sua vez, Israel não participou até o momento dos ataques contra o Irã e sua frente de batalha com o Líbano vive um momento de calma após as hostilidades dos últimos meses.
Nesta terça-feira, estão previstas novas negociações entre Líbano e Israel em Roma, com mediação dos Estados Unidos, um processo rejeitado pelo movimento pró-iraniano Hezbollah.
burx-cgo/anb/avl/fp/aa
P.Cavaco--PC