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EUA intensifica bombardeios contra Irã, mas recua sobre taxa para cruzar Ormuz
Os Estados Unidos intensificaram, nesta terça-feira (14), os bombardeios contra o Irã, que respondeu com ataques contra interesses americanos no Golfo, mas o presidente Donald Trump voltou atrás em sua proposta de cobrar uma taxa de 20% para que navios atravessem o Estreito de Ormuz.
Trump advertiu que restabelecerá nesta terça o bloqueio naval aos portos da República Islâmica e a ameaça de uma guerra aberta ressurgiu após hostilidades sem precedentes desde o cessar-fogo de abril.
O presidente americano afirma que um acordo continua sendo “possível”, mas o Comando Central dos Estados Unidos bombardeou “alvos militares” em várias cidades portuárias do sul do Irã, como Bushehr e Bandar Abbas.
A agência iraniana Fars informou sobre ataques americanos na ilha iraniana de Qeshm, uma posição estratégica próxima ao Estreito de Ormuz, mas afirmou que as explosões não deixaram vítimas.
No total, 28 pessoas morreram no Irã desde que as hostilidades foram retomadas na última quarta-feira, segundo um balanço da AFP baseado em meios de comunicação iranianos e fontes oficiais.
Ao longo do dia, Trump recuou em sua proposta de cobrar uma taxa de 20% dos navios que cruzassem o Estreito de Ormuz, apresentada na segunda-feira.
Trump afirmou em sua plataforma Truth Social que essa cobrança será substituída por "acordos de comércio e investimento que os diversos Estados do Golfo" realizarão nos Estados Unidos.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ironizou na segunda-feira a ameaça de pedágio feita por Trump: "20% é, evidentemente, muito. Seremos justos".
A cobrança de pedágios pela passagem por uma via marítima contraria o direito internacional, que em princípio deve garantir a liberdade de navegação. No entanto, o Estreito de Ormuz tornou-se, desde o início do conflito, uma carta estratégica tanto para os Estados Unidos quanto para o Irã.
– ONU alerta sobre impacto humanitário –
"Está claro que não é agradável ver seu país em guerra", afirma em Teerã Hossein, um vendedor de 43 anos. "Mas vamos nos defender, como fizemos no passado."
Duas pessoas morreram em ataques contra navios comerciais no Estreito de Ormuz, afirmou a Organização Marítima Internacional, após acusações de que o Irã teria disparado contra duas embarcações que navegavam em águas de Omã.
Um petroleiro norueguês também sofreu uma explosão provocada por um artefato não identificado em frente à costa de Omã na madrugada de terça-feira, informou a empresa especializada em gestão de crises MTI Network.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, reivindicou nesta terça-feira uma operação no Bahrein, incluindo um ataque contra um edifício residencial das forças americanas na base de Juffair.
Também anunciaram ter atacado na Jordânia "instalações estratégicas e as forças norte-americanas em uma base aérea", segundo um comunicado citado pela agência Tasnim. Amã informou que interceptou quatro mísseis.
O Kuwait informou que estava interceptando projéteis em seu espaço aéreo e no Estreito de Ormuz.
O Irã começou a bloquear o estreito após o início da guerra em fevereiro e os Estados Unidos responderam com um bloqueio naval, mas essas restrições à navegação foram flexibilizadas depois que ambas as partes chegaram a um acordo preliminar em junho.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, advertiu nesta terça que a retomada das hostilidades no Oriente Médio e a possível interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz poderiam ter “graves consequências socioeconômicas e humanitárias”.
Apesar das hostilidades, Trump declarou na noite de segunda-feira à imprensa, na Casa Branca, que um acordo com o Irã ainda era "possível".
A diplomacia iraniana afirmou que as negociações diplomáticas com os mediadores continuam, anúncio que não conseguiu conter a alta dos preços do petróleo.
– Iêmen à beira do conflito –
Enquanto isso, a Arábia Saudita e os huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, parecem estar à beira de uma nova guerra, e os rebeldes afirmaram nesta terça-feira que derrubaram um drone de reconhecimento saudita.
Por sua vez, Israel não participou, até o momento, dos ataques contra o Irã, e sua frente com o Líbano vive um momento de relativa calma após as devastadoras hostilidades. Os dois países mantêm um novo ciclo de negociações em Roma.
Israel afirmou esperar que suas conversas com Beirute contribuam para implementar um acordo sobre duas "zonas-piloto" no sul do Líbano, de onde as tropas israelenses deveriam se retirar.
burx-cgo/anb/avl/fp/aa/am/ic
F.Cardoso--PC